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O teatro contemporâneo não abandonou o texto, mas sim, afirmou novas formas de dramaturgia - adaptações, colagem, escrita coletiva se tornaram características das produções contemporâneas.
Quando uma peça é baseada em um texto literário, corremos o risco de ver literatura no teatro.
Mas isso não acontece no monólogo A Confissão de Leontina, baseado no conto homônimo de Lygia Fagundes Telles. Nesse espetáculo, vemos o poder do teatro através do poder de uma atriz, e a literatura desaparece conforme a história de Leontina e sua presença tomam forma.
Kelzy Ecard é uma atriz brasileira que começou sua carreira trabalhando com o diretor Moacir Chaves e o ator Pedro Paulo Rangel, depois de cursar a Escola de Teatro Martins Pena, no Rio de Janeiro. Kelzy vai de encontro, profundamente, ao que se esconde entre as linhas do texto, dando-nos o que se encontra entre os olhos de Leontina.
A história trata de uma mulher que vem do campo para a cidade grande, e é acusada de assassinato. Leontina é inocente embora responsável pelo crime. Foge do isolamento e desespero, e encontra seu destino. Se torna vítima e autora de uma tragédia.
Os cenários são simples, mas convenientes para deixar Leontina ser a dona do palco. O vídeo, criado por Geraldo Pereira e Bernardo Mortmer, intervém com a cena em alguns momentos chave da peça, quando Leontina confessa o crime ou quando, primeiramente, se depara com a cidade. É um recurso muito perigoso para ser usado no teatro, mas está bem feito e não compete com a atriz em cena, significa a própria interpretação. A direção de Antônio Guedes é certeira, serve ao texto e ao trabalho da atriz.
Mas por que tal risco em representar uma história que foi feita para a leitura, uma obra literária? Por que esse salto no escuro? Kelzy Ecard revela sua motivação em um texto que consta no programa da peça:
Encenar este espetáculo vem de uma profunda identificação que eu tive com o universo desta personagem desde a primeira leitura do conto. Minha história em nada lembra a de Leontina, mas toda a minha infância – vivida no interior – foi povoada com as imagens e memórias que ela descreve; é quase como se Leontina e todos os que ela nos apresenta fossem meus conhecidos de longa data e por isso eu tenha por eles tão imenso carinho.
A Leontina de Kelzy e a de Lygia se encontram em uma peça que é simples, porém extremamente forte. Toca por suas razões sinceras. É um momento de alegria e de vida no palco.
A Confissão de Leontina Texto LYGIA FAGUNDES TELLES Direção ANTONIO GUEDES Com KELZY ECARD Cenário e figurino NEY MADEIRA Vídeo GERALDO PEREIRA e BERNARDO MORTMER Iluminação BINHO SCHAEFER Música PAULA LEAL Direção de produção DUDU SANDRONI
CONTATO LEONTINA kelzy@uol.com.br
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